Olá!!!!!

Você está entrando num mundo de sensações poéticas, lembre-se, tudo o que você possa vir a sentir será de sua inteira responsabilidade.

PHOENIX

PHOENIX

domingo, 13 de dezembro de 2009

Gestos


E veio até mim... vieram suas mãos, acompanhadas daquele sorrisos, que combinavam com seus olhos, mas estavam nervosas, aquelas pernas, não sabiam muito bem o que faziam, e a porta da casa, ali, como a perguntar, e agora, o que vais fazer? Entendia a pergunta, mas me olhava tão profundamente, que emudecia-se tudo, até o barulho da rua!
Então, ouviu algo, do lado de fora da porta, e aí lembrou que era só uma visita, formal, que tinha que ir embora, porque afinal, quem de direito, estava prestes a entrar.
Olhou, seu sorriso, não consegiui atrevessar sequer os dentes.
Pegou seu casaco. 
Saiu.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Estação





 






Deixei seu coração
Naquele banco,
Daquela estação...
Deixei ele, vermelho...
Esquecido, grande, vazio
E ao mesmo tempo...cheio...
Mas não o esqueci,
Como fiz pareceer... o vi
E sofri, por deixar ele ali...
E ele ficou...e eu... fui 

Sozinha...


Porém, ao deixar seu coração
Nunca me veio tão forte sua palpitação
Nunca, a tua presença, me marcou tanto,
Nunca você, me foi tão forte, como a um santo.
Em que se deixa a imagem, mas se leva a fé...
Nunca, alguém me falou tanto ao meu âmago...
Nunca alguém, me preencheu tanto a razão...


Quanto a você... anjo da santa sé,
Perdido, e, talvez, esquecido numa estação...
Está, estancado e definido dentro da minha pulsação!

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Um Poema Para Marcelo

(sub-titulo: O escritor)


Eu era só novidade...
Vi em mim, minha cidade
meu ser, era o estar ali...
meu ser, era estar... e fim.


Mas eu que me escrevi
Nestas linhas imaturas
Nem sequer eu as li
Nem sequer senti tuas fraturas


Porque aquilo era eu...
No fundo do fundo da minha alma
Lavada do desejo de não ser eu ali...
Mas estava sorrindo a todos dali...


Era eu sim... o escritor
Era eu sim... aquela dor
Era eu... todo fogo que arde
Toda a essência que invade ...


Era eu... naquele dia,
naquele minuto preciso...
Com aquele livro...
Guardando em mim, mais um ser... vivo!

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Houve...


Houve um "não houve" de coisas...
Existiu, uma inexistência de ações
Houve uma fraquesa de forças
Existiu, uma ruptura de razões...

Existiu até um adeus...
Logo seguido de um olá
E tudo continuou, nos olhos teus
Da mesma maneira que está...

Mas nada está, como se quer estar
Nada está, da forma que se pensa ficar,
E teu olhar, pode não observar
Mas nada que ainda há, vai continuar...

Lamento... é o que sinto
Um grande lamento por tudo
É sempre triste o que é finito
É sempre uma espécie de luto

Haverá talvez um dia
Em que tudo será igual
Um raio perdido de alegria
Um sol perdido no temporal

Haverá, sempre há...
Algum sorriso, escondido
Naquele dia, que um dia surgirá
Sem sofrimento, ficando até bonito.

domingo, 6 de setembro de 2009

Achados & perdidos.

Marcelo Nocelli (em seu sarau em santana, tel: 3467-6160), visite seu site:  mnocelli@uol.com.br  muito bom!


Embora esteja numa página de poemas é um conto... e esse não é meu, é de um escritor com livro já editado, contos premiados, enfim, um expert na arte de escrever...
"quem sabe um dia chego lá também"! Boa leitura...


Conto


Achados & Perdidos.


Eu nunca achei nada. É nunca encontrei nada. Na minha família todo mundo já achou alguma coisa. Minha irmã já achou dinheiro na rua, minha mãe já achou corrente de ouro, carteira, cartão telefônico e até cartão de crédito. Até meu pai já achou coisas nesta vida: corrente de ouro, livro em banco de praça. Meu pai também já achou que eu era veado. Hoje ele não acha mais isso. Hoje ele acha que eu sou vagabundo.


Eu nunca achei nada. Nunca achei dinheiro na rua. Nunca achei uma faculdade ou curso que me interessasse. Nunca achei emprego e nunca achei uma namorada decente.


Desde criança é assim. E pior que não achar nada, é ser sempre achado. Imaginem o sofrimento que era pra mim uma simples brincadeira de esconde-esconde.


É... Sempre fui achado. A polícia já achou que eu era maconheiro, ladrão... Meus vizinhos acham que eu sou mal-elemento. Meu pai, como disse acha que sou vagabundo, e minha mãe acha que eu sou um coitado. E eu, não acho nada.


E mesmo quando achava alguma coisa. Achava errado. Tempos atrás, uma garota lá do bairro, que já saiu com todos os meus amigos e inimigos disse que achava que estava grávida. Esperando um filho meu. Eu achava que não poderia ser meu. A mulher saiu com todo mundo. E não é que era. DNA e tudo. Naquele dia achei que eu estava fodido. Mas não. Achei errado mais uma vez. O menino já está com cinco anos. É um garoto esperto. A mãe não me cobra nada. E posso vê-lo quando quero. Acho que está tudo bem. Melhor não achar nada por enquanto. Acho que a mãe dele gosta de mim. Mas acho que ela acha que eu não seria um bom marido, talvez nem um bom pai. Acho que ela pensa isso porque eu nunca achei um emprego, conseqüentemente nunca tenho dinheiro pra nada, e um homem sem dinheiro, para uma mulher, não vale nada.


Ela arranjou um outro cara. Estão morando juntos. E por isso meu pai agora acha que eu sou corno. Mas eu não acho isso, nunca tivemos um relacionamento. Foi apenas uma transa. Eu acho.


Durante muito tempo fiquei achando que realmente não daria em nada. Que minha vida era fútil, que nunca acharia nada pra fazer... Mas de uns tempos pra cá, comecei a me interessar por poesia. E agora estou achando que sou poeta e meu pai continua achando que eu sou um vagabundo.

Marcelo Nocelli
(também escritor do Livro "O ESPÚRIO")

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

vinho


vinho
vinho... vermelho paixão
vinho... seco sertão...
vinho... molhado desejo...
... do teu beijo...
em suspiros, na nuca
em suspiros... e nunca...
perder o sabor do tinto
escorrendo boca a dentro...
como um sortido fomento...
de tudo... do teu e do meu...
mundo

sábado, 29 de agosto de 2009

Pequenique de Domingo

O que houve?
Talvez um domingo perdido?
Em mim... ou em você... como pôde?
Estou como um tapete...estendido... rendido...
Perdido no mundo de mim, que fiz de você
Perdido, achei, a ilusão de te querer...
A ilusão, dum domingo ensolarado
Um pequenique num parque, toalha no gramado...
E momentos tão agradáveis quanto um banho de sol...


Mas você... se foi
Se foi o pequenique... o sol
Fiquei pra depois,
Me perdi na luz do teu farol....


O que houve?
Talvez um domingo perdido?
A ilusão, dum domingo ensolarado
Mas você... Como pôde?...


Então... Choveu no domingo
O pequenique ficou perdido,
Molhado como eu... rendido.

domingo, 4 de maio de 2008

poema de Luiz Marenco


"Têm coisas que tem seu valor

Avaliado em quilates, em cifras e afins

E outras não têm o apreço

Nem pagam o preço que valem pra mim

Tenho uma velha saudade

Que levo comigo por ser companheira

E que aos olhos dos outros

Parecem desgostos por ser tão caseira

Não deixo as coisas que eu gosto

Perdidas aos olhos de quem procurar

Mas olho o mundo na volta

Achando outra coisa que eu possa gostar

Tenho amigos que o tempo

Por ser indelével, jamais separou

E ao mesmo tempo revejo

As marcas de ausência que ele me deixou...

Carrego nas costas meu mundo

E junto umas coisas que me fazem bem

Fazendo da minha janelaImenso horizonte, como me convém

Daz vozes dos outros eu levo a palavra

Dos sonhos dos outros eu tiro a razão

Dos olhos dos outros eu vejo os meus erros

Das tantas saudades eu guardo a paixão

Sempre que eu quero, revejo meus dias

E as coisas que eu posso, eu mudo ou arrumo

Mas deixo bem quietas as boas lembranças

Vidinha que é minha, só pra o meu consumo...


"- Luiz Marenco"

sexta-feira, 2 de maio de 2008

agora...


Ainda sinto tua boca

quente, se derramando em mim,

ainda sinto tuas mãos

suspenderem o meu fôlego

ainda sinto o teu corpo

abraçando o meu...

e você já se despediu,

e você já se foi

pela porta que te deixou entrar

deixou o vazio dormir comigo

e você, que ainda sinto teu olhar

flamejando... me dissolvendo

e você que não está

que levou teu olhar

tua boca, tuas mãos

e o meu escorpião,

que guardava

para essa ocasião

para me salvaguardar

agora, sem guarda

sem você, sem nada.



sábado, 5 de abril de 2008


olha só...

guarda o pó

aquele guarda-chuva

velho...

Tenho visto,
vivido
sentido
muita coisa

muita coisa
tenho
feito
refeito
bem e mal feito

tenho esquecido
perdido
ferido
muita gente

muita gente
tenho
achado
escutado
calado
tenho escrito
fundido
punido
muito de mim...
muito de mim

e de um grau tanto
que qualquer santo
acha um espanto

eu ainda sobreviver
sem viver
o total, sem ter

o tato, sem ver
o ato... sem ser
eu, e me rever!

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

saudades do que não vivi


Tenho saudades
Daquilo que não vivi
Tenho vontades
Daquilo que não comi

Quero rever
lugares que não vi
quero ler
em linguas que não aprendi

Quero chover
em flores que não sei ser
quero ensolarar
em campos que não irei ver

Quero dançar
músicas que não conheço
quero garimpar
jóias que não mereço...


Quero tudo assim
no nada dentro de mim
transbordando de mundo
cheio de um chão profundo

Tudo... onde o nada
é mundo... e instigante
tudo... onde o calor
abrasa... e é congelante...

Quando...

Quando todo esse barulho passar
Vai ser mais fácil pra pensar
Vai ser mais fácil pra falar
Quando toda essa balbúrdia passar

Quando tudo isso acabar
Estarei esperando... sem me abalar
Estarei esperando....sem embalar
Novos sonhos sonhos.... nem antigos

Nem aqueles esquecidos
Nem os que não foram atingidos
Estarei esperando... passar
Todo esse fogo parar

Quando tudo isso parar
Tudo vai se acalmar
Daí poderei pensar
Poderei me renovar


Poderei me recriar
Na paisagem que busquei
Na mesma que não achei
Na mesma que não flertei

Quando tudo isso passar
E todo esse fogo se acalmar
Daí poderei me calar... e pensar
Daí poderei parar... e me restaurar

sábado, 22 de dezembro de 2007

tudo velho de novo

Mais uma festa
de adeus...

Mais uma seresta
sem risos, só festa

Tanto que queria ir
Mas só olhava...
e só podia sorrir

mostrando educação
sem nenhuma emoção

nem alegria
nem tanto
nem tão pouco

e tanto que queria
perder a monotonia...

Mil abraços...fortes...fracos
desejos de felicidades...fracos

Mas continuo na cidade
no meu quarto
com meu corpo farto...

De tanto ver
e rever... rever...
o mesmo filme

tudo de novo...
o novo
tudo velho...
de novo...

adiante...


Um dia
Ela vai
embora....
procurar um ninho
remover um espinho....


Um dia
sem sol
mas também
sem chuva


Com norte
sem sorte
e sem azar
vai se achar...

Vai perder a morte
vai reencontrar
a roupa certa
pra vestir
e poder sair
não vai
perder noites
vai achar dias
sol... chuva...vida
sem muita rima
com alguma estima
pelos acasos
tão escassos

Um dia ela vai
encontrar
um sábado ou
um domingo
em um pequenique


e num quadrado
daquele tecido
encontrar versos
e respostas...
um dia...
ela vai... adiante...


sábado, 24 de novembro de 2007

Ponto de Interrogação


Por Quê?...
...quanto mais tento explicar,
Menos se tenta entender
Quanto mais se tenta tentar
Menos se tenta querer
Procuro uma agulha no palheiro

Que está mexido e remexido

De eu tanto, tanto procurar
e, sempre, encontrar...
Os mesmos mapas
pras mesmas estradas que dão em nada
Canso de procurar
Uma forma de falar
De mostrar, que nada são contos de fada
e que afinal de contas
é como a história de Tróia
nem tudo são contas de jóia

sempre são contas, pra se pagar

e, se não tem dinheiro...
como fica seu travesseiro?

roto de tanto virar e não dormir

de tanto tentar e não conseguir...

Tento falar...
Tento explicar...
Tento mostrar...

Tento desenhar...

Mas...quanto mais se faz
menos se é capaz

de se entender
aquilo que se quer dizer

Por Quê?

Urbanismo

metrô, ônibus trem...
num vai e vem
num vem
e vai
que ninguém mais
sorri,

conversa,

contempla,
passeia,
é tanta giratória

nas portas das horas...
tempo!...
tempo!...
páre,
respire, olhe, pense...
é tanto estopim

na entrada do metrô

na saída do trem

no caminho do ônibus
que não se sabe

se quem está
ainda é gente
se ainda sente

uma pontada no peito
de ter que ser desse jeito...
tempo... tempo...
é necessário ar!
é necessário parar!
é necessário não continuar!
tempo, tempo...
sem poupança

com
desesperança
e certeza...
de que tempo

é o que mais perdemos

sábado, 20 de outubro de 2007

"Quê"

Então com uma cara de "Quê" eu fiquei, parada ali, sem saber, o "porque" do "prá que" que tudo tinha se desenhado, com aqueles tipos de tintas e pincéis.... e aquela tela... em branco.... como a me pedir uma ação.... e eu ali, com aquele "Quê", que não me dixava nem ir nem vir... nem voltar nem sair, tentar nem resistir.... Então, como aquele espaço imenso entre "eu e eu" fiquei... nem cantei, nem dançei, nem respirei... percebi então aquilo que eu mais comumente conhecia como vida, aquilo, havia se perdido... havia mesmo me ignorado, e eu estava num limbo, perdido do mundo, e em mim, encontrado.